A consulta não correu bem nem
mal. Cheguei lá chorei, desabafei, a mesma cantiga de seguir as dietas da dra
S. e bla bla. Acho que a psicóloga entendeu que eu não a conseguia ouvir e a
voz dentro de mim era muito mais forte que a dela e permaneceu calada, no meio
dos meus soluços e de me limpar a um lenço disse ‘Eu durmo demais porque não
mais ficar acordada’.
Mandou-me logo para a dra J
(psiquiatra) que quando me viu receitou-me Cipralex (e não a fluoxetina). Desde
esse dia estive este tempo todo a fazer isto: comer pouco, dormir muito, ir às
aulas e ensaios e fazer as tarefas cá em casa.
Este meu estado apagado dá-me
para ver filmes ou só ficar a olhar para as paredes. Por vezes deito-me na
minha cama, enrolada numa manta e faço força para dormir. Não quero mesmo estar
acordada. Acordo todos os dias às 6h45 para ir para o pior sitio do mundo
(faculdade), ver pessoas que não gosto, venho-me embora, durmo em casa, almoço,
durmo mais, vou aos ensaios, durmo, não janto e durmo. Para adormecer jogo
jogos secantes e estúpidos na net ou vejo vídeos no youtube.
Não falo com ninguém, não saio
com pessoas, nada.
Amanha tenho novamente psicóloga e
na quarta tenho psiquiatra.
Não me matei, nem sequer quero,
mas continuo a querer dormir, porque não existe motivação para mexer este corpo
que não é meu.
Desculpem a ausência, mas não
tinha palavras organizadas para escrever.
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