Do outro lado da porta, na casa de banho perto da cozinha:
"Porque vieste a esta casa de banho?"
" Porque vim beber água e tive vontade de ir à casa de banho."
"Ah..."
"Porquê?"
"Porque é estranho.. Nunca vens a esta."
Desde o início do mês que não fazia asneira, não me fechava na casa de banho e curvava-me para ver o que já sei que vou ver. O que sabe, cheira ou doi. Saber que as lágrimas vão cair pela cara, ver tudo turvo sem conseguir distinguir o que são aquelas cores todas. Sem sequer querer ver melhor para não dar conta das quantidades. Sentir a cabeça pesada, a cara inchada, a força. Dedos que não param até não aguentar a dor, aquela merda de dor. Nem sei onde doi mais. Estômago? Cabeça? A garganta? A respiração?
Vou na sexta actuar. Não é desculpa para os meus actos, mas eu digo que é. Não vou mentir, assim como também não vou dizer que é só hoje. Não sei de nada. Sou imprevisível, não estou estável nem acredito que me vá estabilizar para já.
Só quero que chegue sexta e entrar em férias.
E prometer que irei trazer melhores notícias, mais positivismo.
Estou um bocado farta de ser bebé chorona.
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